a responsabilidade de falar de um filme como o ‘citizen kane’, será, quase sempre, em dimensão, muito próxima da grandiosidade do próprio filme. ainda que o que aqui esteja em causa seja uma sinopse que não visa (pelo menos, à partida) uma expressão crítica, por parte de quem a escreve, hà tanto a dizer, que nos questionamos sempre se será o mais importante (não será tudo?) ou se fará justiça à excelência do filme. fazendo estas ressalvas, é assim que começamos o nosso breve ensaio.
citizen kane estreia nos estados unidos da américa em 1941, pela mão de orson welles, sendo a sua primeira longa metragem. se interiorizarmos, ainda, que orson welles, tinha pouco mais de 20 anos, quando realizou, interpretou e escreveu em parceria com herman jacob mankiewicz (que os conduziria ao oscar de melhor argumento original), não conseguimos ser indiferentes ao peso e valor de citizen kane. o crítico erich von stroheim caracterizou este multi-funcionalismo/multi-genialiade, de welles, como ‘holy trinity’ o que nos parece uma belíssima imagem. é um perfeccionismo absoluto que conduz welles a esta necessidade de criação, supervisão e enquadramento, e que acaba por se traduzir em toda a excelência do filme.
o filme foi, de facto, considerado por muitos visionário, à frente do seu tempo, devido à abordagem dada a manipulação da massa social através dos meios de comunicação. não será portanto de estranhar a polémica que levantou na sua época, nesse sentido, se pensarmos que ainda hoje é um assunto sensível. para além de a abordagem ser polémica por si só, há que ter em conta a conjectura política que se vivia. as preocupações com a europa e com a ásia e a necessidade de que a sétima arte fosse mais entretenimento, quer fosse com gargalhadas pela mão da comédia ou pelos dramas da altura, mais superficiais do ponto de vista emocional e menos virados para uma introspecção social que citizen kane exige necessariamente .
diz-se que é baseado em factos reais e é muito provável que o seja, na medida em que teria por base a vida do magnata da comunicação willian randolph hearst. welles negava-o, publicamente, e hearst manifestou o seu descontentamento com a associação feita entre a personagem kane e a sua pessoa, por considerar que a denegria.
aliás, é fácil ver que em 10 nomeações para os óscares, citizen kane apenas ganhou o de melhor argumento original, quando a grandiosidade que traduz, nunca permitiria um fracasso no que concerne à vitória no palco dos palcos. aliás as inovações que traz no uso de novas técnicas cinematográficas e mesmo narrativas, teria de ser perceptível, mesmo, na própria época, seja porque há uma inversão cronológica dos factos – o protagonista está já morto quando o filme começa- obrigando ao uso de flashbacks brilhantes. pela primeira vez, a cenografia mostra o tecto dos ambientes. são também muito importantes as sombras, as longas sequências sem cortes, distorção de imagens para aumentar a carga dramática, iluminação pouco convencional, transição do foco do primeiro plano para o background, diálogos sobrepostos e focos de imagem usados com contenção, pequenos aspectos que no conjunto se traduzem no melhor filme de sempre, dito por muitos e assegurado pelo american film institute .
é inquestionável a importância de citizen kane e, consequentemente, de orson welles para a história do cinema, nos dias de hoje, a verdade é que na sua época welles não o sentiu, nunca conseguiu voltar a ser contactado por um grande estúdio. custa-nos a aceitar, principalmente se nos lembrarmos de outros grandes filmes do cineasta – touch of evil ou macbeth.
a direcção de arte teve um papel importantíssimo, mesmo que passe despercebida para os espectadores da época. como o filme abrange diversos anos da vida de kane, é impossível não perceber o belo trabalho da caracterização - o modo como welles foi envelhecendo com kane, é fantástico.
nem todos os cenários eram reais, aliás, muitos foram construídos pela metade, para cortar custos, e welles mais uma vez provou sua competência ao fazer com que ,aos nossos olhos, fossem reais fazendo-os crescer, com a sua câmara. no documentário inicial, por exemplo, foram usadas diversas imagens de arquivo para baixar, ao máximo, os custos da obra .
a fotografia é outro factor que não passa despercebido. ao contrário do expressionismo alemão, que utilizava as sombras para tornar o protagonista parte do cenário, gregg toland (o fotógrafo do filme) utilizou o jogo de luz e sombras para dar o peso, o ambiente escuro que se pretendia. sempre que kane vai revelando seu lado negro, fazendo suas peripécias em congruência com o seu egocentrismo, a sombra domina o cenário, geralmente encobrindo-o. o enquadramento foca tanto os primeiros planos como os segundos, sempre jogando com isso, diversas vezes mostrando o tecto dos cenários, incrivelmente inovador como já referimos, brincando com o tamanho aparente e os seus egos.
terminamos dizendo, que é um privilégio inigualável poder rever o citizen kane, do primeiro ao último minuto já que a arte do cinema não vive sem passado.
citizen kane estreia nos estados unidos da américa em 1941, pela mão de orson welles, sendo a sua primeira longa metragem. se interiorizarmos, ainda, que orson welles, tinha pouco mais de 20 anos, quando realizou, interpretou e escreveu em parceria com herman jacob mankiewicz (que os conduziria ao oscar de melhor argumento original), não conseguimos ser indiferentes ao peso e valor de citizen kane. o crítico erich von stroheim caracterizou este multi-funcionalismo/multi-genialiade, de welles, como ‘holy trinity’ o que nos parece uma belíssima imagem. é um perfeccionismo absoluto que conduz welles a esta necessidade de criação, supervisão e enquadramento, e que acaba por se traduzir em toda a excelência do filme.
o filme foi, de facto, considerado por muitos visionário, à frente do seu tempo, devido à abordagem dada a manipulação da massa social através dos meios de comunicação. não será portanto de estranhar a polémica que levantou na sua época, nesse sentido, se pensarmos que ainda hoje é um assunto sensível. para além de a abordagem ser polémica por si só, há que ter em conta a conjectura política que se vivia. as preocupações com a europa e com a ásia e a necessidade de que a sétima arte fosse mais entretenimento, quer fosse com gargalhadas pela mão da comédia ou pelos dramas da altura, mais superficiais do ponto de vista emocional e menos virados para uma introspecção social que citizen kane exige necessariamente .
diz-se que é baseado em factos reais e é muito provável que o seja, na medida em que teria por base a vida do magnata da comunicação willian randolph hearst. welles negava-o, publicamente, e hearst manifestou o seu descontentamento com a associação feita entre a personagem kane e a sua pessoa, por considerar que a denegria.
aliás, é fácil ver que em 10 nomeações para os óscares, citizen kane apenas ganhou o de melhor argumento original, quando a grandiosidade que traduz, nunca permitiria um fracasso no que concerne à vitória no palco dos palcos. aliás as inovações que traz no uso de novas técnicas cinematográficas e mesmo narrativas, teria de ser perceptível, mesmo, na própria época, seja porque há uma inversão cronológica dos factos – o protagonista está já morto quando o filme começa- obrigando ao uso de flashbacks brilhantes. pela primeira vez, a cenografia mostra o tecto dos ambientes. são também muito importantes as sombras, as longas sequências sem cortes, distorção de imagens para aumentar a carga dramática, iluminação pouco convencional, transição do foco do primeiro plano para o background, diálogos sobrepostos e focos de imagem usados com contenção, pequenos aspectos que no conjunto se traduzem no melhor filme de sempre, dito por muitos e assegurado pelo american film institute .
é inquestionável a importância de citizen kane e, consequentemente, de orson welles para a história do cinema, nos dias de hoje, a verdade é que na sua época welles não o sentiu, nunca conseguiu voltar a ser contactado por um grande estúdio. custa-nos a aceitar, principalmente se nos lembrarmos de outros grandes filmes do cineasta – touch of evil ou macbeth.
a direcção de arte teve um papel importantíssimo, mesmo que passe despercebida para os espectadores da época. como o filme abrange diversos anos da vida de kane, é impossível não perceber o belo trabalho da caracterização - o modo como welles foi envelhecendo com kane, é fantástico.
nem todos os cenários eram reais, aliás, muitos foram construídos pela metade, para cortar custos, e welles mais uma vez provou sua competência ao fazer com que ,aos nossos olhos, fossem reais fazendo-os crescer, com a sua câmara. no documentário inicial, por exemplo, foram usadas diversas imagens de arquivo para baixar, ao máximo, os custos da obra .
a fotografia é outro factor que não passa despercebido. ao contrário do expressionismo alemão, que utilizava as sombras para tornar o protagonista parte do cenário, gregg toland (o fotógrafo do filme) utilizou o jogo de luz e sombras para dar o peso, o ambiente escuro que se pretendia. sempre que kane vai revelando seu lado negro, fazendo suas peripécias em congruência com o seu egocentrismo, a sombra domina o cenário, geralmente encobrindo-o. o enquadramento foca tanto os primeiros planos como os segundos, sempre jogando com isso, diversas vezes mostrando o tecto dos cenários, incrivelmente inovador como já referimos, brincando com o tamanho aparente e os seus egos.
terminamos dizendo, que é um privilégio inigualável poder rever o citizen kane, do primeiro ao último minuto já que a arte do cinema não vive sem passado.
alexandra severino

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