terça-feira, 24 de março de 2009

La Strada na Quinta

Informamos que na próxima Quinta-Feira, dia 26 de Março a sessão terá inicio pelas 21h já que se realizará mais tarde, no mesmo espaço, a festa de comemoração dos XXX Colóquios de Relações Internacionais da Universidade do Minho.
Não obstante a presença dos estudantes e convidados desta área, todos são bem-vindos na sessão assim como na festa que lhe sucede.

Até Quinta!

domingo, 15 de março de 2009

ComUM

O periódico académico minhoto tomou interesse neste nosso projecto e publicou na sua edição on-line um artigo sobre o mesmo:

“Cinema de Autor às Quintas-Feiras" no Alla Scala

O projecto "Cinema de Autor às Quintas-Feiras" apresenta-se, mais uma vez, no mês de Março no espaço clutural e bar concerto Alla Scalla. A iniciativa é da autoria de Sofia Lemos, que conta com o apoio do espaço cultural e tem como objectivo divulgar a importância do cinema no panorama cultural bracarense.
Para o artigo na íntegra:

sábado, 14 de março de 2009

O Pai Tirano

Tivemos na passado 5ºFeira connosco um convidado especial na apresentação do filme de António Lopes Ribeiro, um amante do cinema clássico português, que tão eloquentemente nos pintou o retrato da história cinema português.

"O Pai Tirano" um dos melhores filmes, sem dúvida, da época áurea do cinema feito em Portugal e muitas vezes esquecido pelos canais de televisão pública devido à conotação de cineasta do Regime que o seu realizador ganhou, gerou muitas gargalhadas e risos na melhor sala de cinema de Braga.

domingo, 8 de março de 2009

Já nos podem encontrar no myspace:

www.myspace.com/cinealla

Ou se preferirem, podem contactar-nos via e-mail:

cinemallascala@gmail.com
Uma vez mais Jean Vigo não se quis revelar ao público cinéfilo bracarense, desta vez por defeito de um cabo. Em contrapartida, reparou um atento espectador que as datas do cartaz estão trocadas e o que poderia ser uma grande tragédia ao estilo grego revelou-se uma grande benesse. Informamos, deste modo, que a próxima sessão de Quinta-Feira, dia 12, contará com a produção portuguesa "O Pai Tirano" e com um orador especial.
Não percam !

segunda-feira, 2 de março de 2009


Infelizmente não foi possível exibir no passado dia 19 de Fevereiro a obra-prima de Jean Vigo pelo que e a pedido de vários membros da audiência comprometemos-nos a incorporá-lo novamente no cartaz para uma futura visualização. Para que não se perca totalmente a ordem cronológica desta mostra de Cinema de culto acordamos retirar "O Pai Tirano", de António L. Ribeiro, e que partilha data com "Citizen Kane", para que o Realismo Poético ganhe forma. Lamentamos que seja o primeiro dos dois filmes Portugueses que seja "posto de lado" porém esta decisão nada tem que ver com o facto de ser produção nacional e numa outra ocasião esperamos ter oportunidade de o visualizar no Alla Scala.
Deste modo, a próxima sessão, quinta-feira, dia 5 de Março será dedicada ao mártir Jean Vigo.

Citizen Kane / Orson Welles / 1941


a responsabilidade de falar de um filme como o ‘citizen kane’, será, quase sempre, em dimensão, muito próxima da grandiosidade do próprio filme. ainda que o que aqui esteja em causa seja uma sinopse que não visa (pelo menos, à partida) uma expressão crítica, por parte de quem a escreve, hà tanto a dizer, que nos questionamos sempre se será o mais importante (não será tudo?) ou se fará justiça à excelência do filme. fazendo estas ressalvas, é assim que começamos o nosso breve ensaio.
citizen kane estreia nos estados unidos da américa em 1941, pela mão de orson welles, sendo a sua primeira longa metragem. se interiorizarmos, ainda, que orson welles, tinha pouco mais de 20 anos, quando realizou, interpretou e escreveu em parceria com herman jacob mankiewicz (que os conduziria ao oscar de melhor argumento original), não conseguimos ser indiferentes ao peso e valor de citizen kane. o crítico erich von stroheim caracterizou este multi-funcionalismo/multi-genialiade, de welles, como ‘holy trinity’ o que nos parece uma belíssima imagem. é um perfeccionismo absoluto que conduz welles a esta necessidade de criação, supervisão e enquadramento, e que acaba por se traduzir em toda a excelência do filme.
o filme foi, de facto, considerado por muitos visionário, à frente do seu tempo, devido à abordagem dada a manipulação da massa social através dos meios de comunicação. não será portanto de estranhar a polémica que levantou na sua época, nesse sentido, se pensarmos que ainda hoje é um assunto sensível. para além de a abordagem ser polémica por si só, há que ter em conta a conjectura política que se vivia. as preocupações com a europa e com a ásia e a necessidade de que a sétima arte fosse mais entretenimento, quer fosse com gargalhadas pela mão da comédia ou pelos dramas da altura, mais superficiais do ponto de vista emocional e menos virados para uma introspecção social que citizen kane exige necessariamente .
diz-se que é baseado em factos reais e é muito provável que o seja, na medida em que teria por base a vida do magnata da comunicação willian randolph hearst. welles negava-o, publicamente, e hearst manifestou o seu descontentamento com a associação feita entre a personagem kane e a sua pessoa, por considerar que a denegria.
aliás, é fácil ver que em 10 nomeações para os óscares, citizen kane apenas ganhou o de melhor argumento original, quando a grandiosidade que traduz, nunca permitiria um fracasso no que concerne à vitória no palco dos palcos. aliás as inovações que traz no uso de novas técnicas cinematográficas e mesmo narrativas, teria de ser perceptível, mesmo, na própria época, seja porque há uma inversão cronológica dos factos – o protagonista está já morto quando o filme começa- obrigando ao uso de flashbacks brilhantes. pela primeira vez, a cenografia mostra o tecto dos ambientes. são também muito importantes as sombras, as longas sequências sem cortes, distorção de imagens para aumentar a carga dramática, iluminação pouco convencional, transição do foco do primeiro plano para o background, diálogos sobrepostos e focos de imagem usados com contenção, pequenos aspectos que no conjunto se traduzem no melhor filme de sempre, dito por muitos e assegurado pelo american film institute .
é inquestionável a importância de citizen kane e, consequentemente, de orson welles para a história do cinema, nos dias de hoje, a verdade é que na sua época welles não o sentiu, nunca conseguiu voltar a ser contactado por um grande estúdio. custa-nos a aceitar, principalmente se nos lembrarmos de outros grandes filmes do cineasta – touch of evil ou macbeth.
a direcção de arte teve um papel importantíssimo, mesmo que passe despercebida para os espectadores da época. como o filme abrange diversos anos da vida de kane, é impossível não perceber o belo trabalho da caracterização - o modo como welles foi envelhecendo com kane, é fantástico.
nem todos os cenários eram reais, aliás, muitos foram construídos pela metade, para cortar custos, e welles mais uma vez provou sua competência ao fazer com que ,aos nossos olhos, fossem reais fazendo-os crescer, com a sua câmara. no documentário inicial, por exemplo, foram usadas diversas imagens de arquivo para baixar, ao máximo, os custos da obra .
a fotografia é outro factor que não passa despercebido. ao contrário do expressionismo alemão, que utilizava as sombras para tornar o protagonista parte do cenário, gregg toland (o fotógrafo do filme) utilizou o jogo de luz e sombras para dar o peso, o ambiente escuro que se pretendia. sempre que kane vai revelando seu lado negro, fazendo suas peripécias em congruência com o seu egocentrismo, a sombra domina o cenário, geralmente encobrindo-o. o enquadramento foca tanto os primeiros planos como os segundos, sempre jogando com isso, diversas vezes mostrando o tecto dos cenários, incrivelmente inovador como já referimos, brincando com o tamanho aparente e os seus egos.
terminamos dizendo, que é um privilégio inigualável poder rever o citizen kane, do primeiro ao último minuto já que a arte do cinema não vive sem passado.
alexandra severino
Por motivos técnicos o filme L'Atalante de Jean Vigo não pôde ser exibido no dia 19 de Fevereiro de 2009, pelo que lamentamos o incomodo e passaremos à reformulação do programa de modo a que esta obra possa ser admirada pelo ávido gosto dos cinéfilos bracarenses.

L'Atalante / Jean Vigo / 1934


“Jean Vigo afirmou-se, muito jovem, como um dos grandes poetas da sétima arte: o Rimbaud do écran” afirma Claude Beylie porventura corroborado por François Truffaut que após ter assistido L’atalante com 14 anos de idade considerou-o um dos dez melhores filmes de sempre. Grandemente apreciado pelos autores da Nouvelle Vague, o trabalho de Jean Vigo não se inscreve propriamente num movimento específico, caracterizando-se por ser uma mescla entre o cinema documental com laivos surrealistas, poucos mas notáveis cortes que se tornariam muito populares com a Nova Vaga e, ainda, compactuante com o Impressionismo Francês, uma crueza e brutalidade grotescas na forma como encara o quotidiano elevadas ao poético e à majestosa simplicidade.
“A obra de Jean Vigo é compreendida numa transição entre a Vanguarda Francesa e o Realismo Poético, entre o cinema mudo e o cinema sonoro. Vigo vive em Paris nos anos 20, na época de ouro do surrealismo, mas não se vê directamente influenciado pelo manifesto de André Breton. Identifica-se com a proposta de Un Chien Andalou (1929) e de uma maneira indirecta e mais pessoal do que artística é inspirado pelos ideais, tomados pelos surrealistas, de liberdade, de anti-autoritarismo e de repúdio ao academicismo.”1
O autor falece com apenas 29 anos de idade, deixando apenas quatro obras e a montagem da última por concluir, devido a complicações de uma tuberculose. A morte do seu pai, um militante anarquista, em circunstância misteriosas, pesa no trabalho de Vigo, nomeadamente em Zéro de Conduit (1933), banido pelo Regime e cujas reminiscências são claras em Les Quatre Cents Coups (1959) de Truffaut e em À propos de Nice (1930), uma curta-metragem muda que estuda a iniquidade social da época naquela cidade.
“Jean Vigo é o primeiro mártir do cinema. E como mártir foi devidamente negligenciado pelos críticos e pelos cineastas de sua época. Vigo realizou os seus filmes num estilo intensamente pessoal e original. O cinema breve de Vigo não nos satisfez por completo, mas faz-nos pensar toda a magnitude de um cineasta social, lírico e verdadeiro numa passagem tão efémera pela vida e pelo cinema. A sua actuação na produção cinematográfica francesa é curta e conturbada, mas deu um novo sentido à linguagem técnica do cinema. Vigo lança num tipo de cinema muito autoral, e utiliza a linguagem cinematográfica para produzir a sua crítica social.
Jean Vigo tratava a realidade directamente nos seus meios, sem artifícios ou ornamentos. Ele propõe como manifesto um cinema social. E para isso é preciso ver com outros olhos, formar uma nova percepção da realidade concreta. A realidade crua, sem efeitos, sem artifícios oníricos. Talvez a sociedade francesa dos anos 30 não estivesse preparada para ganhar novos olhos. A cegueira parcial e o onírico parecem mais atraentes diante do concreto inexorável do mundo.”2
L’Atalante conta uma história de amor, o casamento de Jean, um barqueiro, e Juliette, uma camponesa, que dividem a sua lua-de-mel com “père Jules”, o seu sem número de gatos e extravagantes velharias e o seu jovem assistente, num espaço exíguo, uma embarcação de nome homónimo ao da obra. “Vigo faz emergir um mundo repleto de símbolos e fantasias, de felizes coincidências e de estranhos milagres do dia-a-dia. Do olhar de Vigo surgem o real e o alegórico, o belo e o grotesco, que coexistem naturalmente, assentes sob uma série de imagens enigmáticas, descontínuas e líricas. Aqui, o banal dá lugar a uma pulsante teia de imaginações.”3
Chegados a Paris, destino de sonho de Juliette, esta deixa-se seduzir por um vendedor ambulante e já desiludida com a vida conjugal e encantada com a Cidade das Luzes foge. Jean, num acto de despeito desatraca e prossegue o seu trajecto, orgulho que em nada lhe alivia a dor, de modo que, ao assistir ao panorama Jules “uma espécie de fada-madrinha burlesca”4 enceta uma busca pelo amor de Jean, pela “patroa”.
Cabe ainda notar que a obra é também uma denúncia ao Regime da época, no que sobretudo respeita ao desemprego e à pobreza das mentalidades, no entanto, com um lirismo subjacente pouco comum a toda a história do cinema.
Tudo se encontra em perfeita sintonia nesta afirmação de puro vanguardismo, a química e o erotismo do casal Dasté/Parlo , a decoração tão simples quanto claustrofóbica, o ritma da concertina de Jules, a música de Maurice Jaubert e a cinematografia de Boris Kaufman, irmão de Dziga Vertov, o grande cineasta do Kino-Pravda russo ou o marco do cinema documental, que trabalhou com Vigo lado a lado nas suas obras e que foi reconhecido pela Academia norte-americana em 1955 pela colaboração com Elia Kazan em On The Waterfront (1954).

1/2 Natasja Berzoini
3/4 Paula Belchior in “Cinética”

Sofia Lemos

M / Fritz Lang / 1931


“M” é um filme realizado por Fritz Lang em 1931. Este é baseado num caso verídico do “Vampiro de Dusseldorf” que aterrorizou a Alemanha nos anos vinte. Apesar de não haver os “copy-cats”, o recurso aos jornais locais aconteceu, o que levou a que cerca de duzentas pessoas se tenham entregue como assassinas, houve uma mobilização tanto no filme como na realidade, da população para apresar este assassino em série.
O argumento dotado de desespero, de factos reais e prendado com um tipo de terror psicológico e foi escrito pela mulher do realizador, Thea von Harbou.
A nível psicológico vemos como funciona a mente de um assassino em série, como ele trabalha, os desequilíbrios emocionais, a solidão a angústia, a perversidade humana, o lado animal, que o inesquecível e fabuloso Peter Lorre nos brindou.
Todos são potenciais assassinos, apenas nós o conhecemos o verdadeiro no início do filme amedronta-nos sempre que assobia.
Vemos uma Alemanha pós Primeira Guerra Mundial, pobre, corrupta e humilhada, onde a máfia orienta o caso.
Este filme possui um porção de tudo que normalmente se fazia sentir pela censura a um quilómetro de distância. O assassino mete a mão ao bolso, afia a sua navalha e é o exemplo o puro do sadismo. O Governo é fruído e o crime organizado é aplaudido.
Este filme foi a primeira aventura de Fritz Lang no sonoro e como o som sincronizado só apereceu em 1927, pouco anos passaram até “M” e por isso existem algumas falhas na sincronização e na elevação de certos sons comparados com outros. Houve uma regressão estética e Lang separa frequentemente a banda sonora da imagem e do som, transformando num comentário “off”.
Fritz Lang foi o mestre do cinema alemão, fez dezenas de filmes incluindo “Metropolis” e “You Only Live Once” e é um dos marcos da história do cinema.
Margarida Correia

Das Cabinet Des Dr. Caligari / 1920 / Robert Wiene

O expressionismo cunha uma reviravolta, verdadeira mutação, na história do cinema, do mesmo modo que o conseguiu na pintura, com Munch e Kirchner, na literatura e no teatro. Criação da estética alemã, o expressionismo preconiza, por contraposição ao impressionismo, uma visão deformada do real de acordo com a subjectividade própria do artista, tendentes à instauração de um universo “outro”, próximo da alucinação. Dá-se o retorno com grande entusiasmo do Romantismo, sempre cúmplice da “angústia trágica dos nossos tempos”.
D’O Consultório do Dr. Caligari poder-se-á retirar a impressão de toda esta estética que bebe do conto do fantástico, do horror e da fantasia, nomeadamente de E.T.A. Hoffmann, um dos mais influentes autores do movimento romântico. A obra de Wiene, primeiramente entregue à direcção de Fritz Lang que abandona o projecto, honra, em conjunto com Nosferatu, de Friedrich Murnau, o movimento de vanguarda alemão que culmina, em simultâneo com o neo-realismo italiano e a nouvelle vague francesa, num dos mais importantes movimentos cinematográficos da História.
A manifestação visual é, assim, um dos aspectos mais privilegiados fazendo-se o uso exagerado de cenários de papel onde se pintavam sombras de modo a fazer um contraponto intimidante entre luz e trevas. Para exemplificar confronto interior, empregavam espelhos – uso bastante popular no cinema noir e em autores como Hitchcock e Wells, enquanto que o tom fantástico era enfatizado pelos cenários distorcidos que diminuíam o discernimento entre realidade e sonho. A caracterização sombria das personagens apela também ao distante e ao fantasmagórico, o exagero na representação dos actores, típico do cinema mudo, que sem recorrer à palavra exprime as emoções dos personagens e, os figurinos, pretos e desarrumados, contribuem para a ideia de confusão entre realidade e sonho, sendo excelentes exemplos, o sobretudo do Dr. Caligari que atrai de imediato a atenção e distingue-o dos demais e as vestes brancas de Jane que alimentam a pureza da personagem. Por fim, a banda sonora é, sem sombra de dúvidas, um dos pontos altos do filme, que consegue um acompanhamento exímio de toda a acção e nos momentos de maior tensão contribui para enregelar ainda mais o ambiente.
No entanto, a película é mais do que um subterfúgio artístico, como afirma Siegfried Kracauer, em “De Caligari a Hitler: a história psicológica do cinema alemão”, que à semelhança de Das Testament des Dr. Mabuse (1933), de Frtiz Lang, é uma premonição de Hitler e da sede do poder e morte. A História abre caminho a diversas interpretações quase todas elas voltadas para o contexto social da época. Metropolis (1927), também de Fritz Lang, por exemplo, culmina numa extensa tese política sobre a tensão social nas questões trabalhistas, de modo que em Caligari, embora criação duma época de fuga à realidade, se possam encontrar analogias entre o povo alemão e Cesare um mero serviçal mais defunto do que vivo, uma marioneta nas mão de quem lhe é hierarquicamente superior. A Alemanha sentia-se humilhada pela derrota na I Grande Guerra e pelas condições impostas pelo Tratado de Versalhes além de estar imersa numa crise que a República de Weimer não conseguia travar. Assim, das trevas permanentes e da realidade distorcida semelhante a um pesadelo, se compreende o espírito alemão da época.
Aproximando-se de um século de existência, esta obra não deixa de ser um clássico entre clássicos e uma das obras-primas do cinema alemão. Pela atmosfera que gera, pela direcção que complementa um guião extremamente bem construído e rico em twists e complexidade, o filme mantém uma tamanha originalidade, sofisticação e plasticidade que na ausência de recursos técnicos actualmente tão triviais como som e cor deve ser admirada em toda a sua dimensão.

Sofia Lemos
“A primeira vez que vi um filme foi na Cinemateca Francesa… Pensei: “Só os Franceses... Só os Franceses teriam instituído um cinema num palácio”. O filme foi do Sam Fuller, o “Shock Corridor”, as suas imagens eram tão poderosas que pareciam hipnotizar-me. Vim para Paris um ano para estudar francês, mas foi aqui que tive a minha verdadeira educação. Tornei-me membro do que naqueles dias era uma espécie de livre maçonaria. A maçonaria dos cinéfilos... aquilo a que chamam “filme buffs”. Eu era um dos insaciáveis, aqueles que se encontram sentados nas primeiras filas. Porque nos sentamos tão perto? Talvez seja porque queremos ser os primeiros a receber as imagens, quando elas ainda estão novas, ainda estão frescas, antes de serem apuradas pelas filas de trás, antes que sejam transmitidas de volta, de fila para fila, espectador para espectador… até ficarem gastas, de segunda-mão, do tamanho de um selo postal, retornadas à cabine do projeccionista.”

- The Dreamers (2003)
Bernardo Bertolucci


O Alla Scala recebe, pela primeira vez, um ciclo de cinema que se propõe a dar alento à comunidade de cinéfilos de Braga e a enraizar a sétima arte, nesta cidade, como lhe falta. Com um cartaz repleto de grandes obras que pelo mundo se criaram durante o século XX e que, para sempre alteraram a sua História, pretendemos partilhar toda a paixão que conduziu ao surgimento deste projecto e de toda a sua dinâmica, no que certamente será um curioso espaço de convívio e crescimento cultural.